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Como Japão 'parou no tempo' depois de milagre econômico

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O Japão tem fama de ser um país moderno, com tecnologia de ponta, quase futurista. Mas, no ano passado, os japoneses comemoraram o fim de uma guerra bastante inusitada — uma guerra contra... disquetes.

Em 2021, o então ministro de Transformação Digital, Taro Kono, reclamou que os cidadãos ainda precisavam usar disquetes para enviar documentos ao governo. Três anos depois, ele declarou triunfante:

"Vencemos a guerra contra os disquetes!"

O episódio é simbólico: mostra como o país do futuro acabou, em muitos aspectos, ficando preso ao passado.

Milagre Japonês

Após a Segunda Guerra Mundial, o Japão estava devastado. Com o apoio dos Estados Unidos, o país apostou fortemente na industrialização como estratégia de recuperação.

Segundo o professor Hiroaki Watanabe, da Universidade Ritsumeikan:

"Para os EUA, o Japão passou a ser muito importante como barreira ao comunismo na Ásia durante a Guerra Fria."

A estratégia deu certo. Na década de 1960, o Japão crescia mais de 10% ao ano, exportando produtos baratos e de qualidade. Tornou-se a segunda maior economia do mundo, com carros da Toyota e walkmans da Sony dominando o mercado.

Comércio Desequilibrado e a Bolha Econômica

Esse crescimento, no entanto, causou desequilíbrios comerciais. Em 1985, o Japão aceitou valorizar o iene, encarecendo suas exportações. Para compensar, baixou juros, o que gerou uma bolha imobiliária e na bolsa de valores.

Em poucos anos, os preços inflaram de forma irracional. Um pedaço de terra próximo ao Palácio Imperial chegou a valer tanto quanto todo o estado da Califórnia. Mas essa bolha estourou no início dos anos 1990, mergulhando o país em um colapso prolongado.

As Décadas Perdidas

Por cerca de 20 anos, o Japão enfrentou estagnação econômica, com inflação próxima de zero e salários estagnados. Mesmo com juros baixíssimos e políticas de estímulo, a população optava por poupar, em vez de consumir.

Além disso, o país viu sua população começar a encolher, o que comprometeu ainda mais a produtividade e o crescimento.

Produtividade Baixa e Tradições

Apesar da fama de eficiência, o Japão é o país com menor produtividade entre os membros do G7. Muitos empregos ainda são ocupados por funções que já foram automatizadas em outros países.

"No Japão, você encontra seis pessoas orientando o trânsito em um estacionamento pequeno, o que não precisa acontecer." — Kristin Surak (LSE)

O ex-correspondente da BBC, Rupert Wingfield-Hayes, observou:

"A burocracia pode ser assustadora e enormes montantes de dinheiro público são gastos em atividades de utilidade duvidosa."

Um exemplo: as tampas de bueiro, que podem custar mais de R$ 5 mil cada, têm desenhos únicos e contam até com uma sociedade própria dedicada ao tema.

Tranquilidade e Contradições

Apesar de tudo isso, não há protestos nas ruas. A criminalidade é baixa, a educação é excelente e a expectativa de vida é alta. A maioria da população ainda consegue viver com dignidade.

Em 2022, houve um leve aumento na inflação e nos juros, reacendendo a esperança de retomada. Mas as perspectivas são cautelosas.

"Hoje, o Japão quer apenas se manter entre as 10 maiores economias do mundo." — Kristin Surak

Mesmo assim, a luta contra o passado continua. Após declarar vitória sobre os disquetes, o próximo inimigo do ministro da Transformação Digital foi a máquina de fax. Mas, por enquanto, ela segue firme — inclusive nos prédios do próprio governo.


Fonte: BBC Brasil

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